Erros de segurança mais comuns em trabalhos elétricos (e como evitá-los)

Os trabalhos em instalações elétricas envolvem riscos elevados, tanto em baixa como em média tensão. Apesar da evolução das normas, dos equipamentos de proteção e da formação técnica, continuam a ocorrer acidentes graves, muitas vezes provocados por falhas básicas de segurança operacional. Este artigo identifica os erros de segurança mais comuns em trabalhos elétricos, analisando-os de forma técnica e prática, com o objectivo de reforçar comportamentos preventivos no terreno.
03 novembro 2025
Sabia que...?

De acordo com a Electrical Safety Foundation International (ESFI), mais de 20 000 trabalhadores ficaram feridos em acidentes elétricos no local de trabalho nos últimos dez anos, evidenciando que os riscos elétricos continuam a ser uma das principais causas de lesões profissionais. (fonte)

Este dado sublinha a importância de seguir procedimentos técnicos corretos e utilizar equipamentos de proteção adequados, antes de iniciar qualquer intervenção elétrica.
1. Intervir numa instalação sem garantir a desenergização completa

Um erro crítico é iniciar trabalhos sem assegurar o corte efetivo da alimentação elétrica. Circuitos mal identificados, alimentações alternativas ou retornos podem manter partes da instalação sob tensão, expondo o técnico a risco de contacto direto.

Procedimentos técnicos recomendados:
  • Corte da alimentação através do dispositivo de protecção adequado (disjuntor, seccionador ou interruptor geral);
  • Implementação de Lockout/Tagout (LOTO) sempre que aplicável;
  • Identificação da zona de trabalho com sinalização clara e barreiras físicas.
2. Ausência de verificação de ausência de tensão (VAT)

Confiar apenas no corte da alimentação é insuficiente do ponto de vista técnico. A verificação da ausência de tensão é obrigatória antes de qualquer contacto com condutores ou componentes ativos.

Boas práticas:
  • Utilizar detetores de tensão certificados, adequados à classe de tensão da instalação (AC/DC);
  • Testar o detetor antes e depois da medição;
  • Confirmar a ausência de tensão em todos os condutores energizados, incluindo neutro e terra.  
3. Equipamentos de Proteção Individual (EPI) inadequados ou ausentes   

A não utilização de EPI é uma das principais causas de acidentes. Mesmo em tarefas curtas, a exposição a tensões perigosas ou arco elétrico é significativa. EPI recomendados para trabalhos elétricos técnicos:
  • Luvas isolantes de classe adequada à tensão nominal da instalação;
  • Capacete com barreira dielétrica e proteção facial;
  • Calçado de segurança com isolamento elétrico certificado;
  • Vestuário resistente a arco elétrico (categoria CAT, conforme IEC/EN 61482-2).
O EPI deve estar certificado, em bom estado e dimensionado para a aplicação específica.   
4. Ferramentas não isoladas ou com isolamento degradado

Ferramentas sem isolamento adequado ou com danos visíveis representam um risco de contacto elétrico direto.

Recomendações técnicas:
  • Utilizar apenas ferramentas isoladas certificadas para tensão nominal específica;
  • Inspeção visual periódica do estado do isolamento;
  • Substituição imediata de ferramentas com fissuras, desgaste ou certificação expirada.
5. Subestimação do risco de arco elétrico 

O arco elétrico é um fenómeno de alta energia que ocorre em curtos-circuitos ou contacto inadequado em equipamentos energizados. Pode provocar queimaduras térmicas graves, lesões oculares e danos auditivos, mesmo sem contacto direto.

Medidas preventivas técnicas:
  • Avaliar previamente o risco de arco elétrico utilizando cálculos de energia incidente (calor emitido em kJ/cm²);
  • Utilizar EPI específicos para arco elétrico;
  • Evitar manobras em carga e manter distâncias de segurança recomendadas pela IEC/EN 61482-1-2.  
6. Falta de planeamento técnico da intervenção  

Iniciar trabalhos sem análise prévia das condições da instalação aumenta significativamente o risco de acidentes.

Etapas essenciais de planeamento:
  • Avaliação do risco elétrico, incluindo tensão, corrente e possíveis energias residuais;
  • Seleção de EPI e ferramentas adequadas;
  • Planeamento da sequência de intervenção, incluindo procedimentos de isolamento e aterramento;
  • Garantia de espaço seguro, iluminação adequada e sinalização do local.   

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